1. Uma ilha que nem sempre foi Das Flores

  2. Um lugar de experiências pioneiras

  3. A Hospedaria da Ilha das Flores

  4. Experiências da imigração

  5. Outros usos da Hospedaria em princípios do século XX

  6. A Ilha como presídio de revolucionários e revoltosos dos anos 1930

  7. A II Guerra Mundial e os anos 1950

  8. Presídio durante o Regime Militar

  9. A Tropa de Reforço dos Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil e o Centro de Memória da Imigração da Ilha das Flores

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Ilha das Flores e de histórias

O motorista que trafega pela BR-101, no trecho que fixa o limite entre os municípios de São Gonçalo e Niterói, avista uma placa indicando a Base Naval da Ilha das Flores. Em um primeiro momento há certo estranhamento: que ilha? Não há mais uma ilha. As obras de construção da rodovia, na década de 1980, promoveram uma série de aterramentos no local ligando-a ao continente. Apesar disso, o nome continuou. E o nome traz em si uma carga de significação que permite ao historiador acessar uma gama variada de experiências históricas. Ao nos debruçarmos sobre as experiências históricas vivenciadas na Ilha das Flores observamos que, ao longo do tempo, aquele espaço sofreu usos variados. Um dos mais celebrados diz respeito à Hospedaria de Imigrantes ali instalada em 1883 e extinta em 1966. Este viria a ser o primeiro estabelecimento do gênero do país e foi criado em meio aos debates de políticos e intelectuais sobre o processo de transição de mão-de-obra escrava para livre no país. Por ali passaram milhares de homens, mulheres e crianças que traziam seus sonhos e desejos de (re)construção de suas vidas. A Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores foi o primeiro endereço de levas de trabalhadores que, no final do século XIX, eram vistos como uma solução para substituir a mão-de-obra escrava. Esses imigrantes destinavam-se às fazendas e aos ofícios urbanos. Essa experiência, no entanto, não foi a única vivenciada nesse espaço. Nos últimos dois séculos, a ilha também abrigou um engenho de mandioca, foi espaço para a pioneira experiência de criação intensiva de peixes, funcionou como presídio e, atualmente, sedia a Tropa de Reforço da Força de Fuzileiros da Esquadra do Corpo de Fuzileiros Navais, da Marinha do Brasil.

A Ilha das Flores é um espaço rico em experiências de configurações sociais e de memórias pouco conhecidas.