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Fotografia e Imigração

O 08 de janeiro é marcado no calendário nacional como o Dia do Fotógrafo, em alusão a chegada do daguerreótipo ao Brasil, no ano de 1840. O surgimento desse campo profissional ganhava força conforme avançava as tecnologias aplicadas aos equipamentos, a exemplo da introdução das câmeras móveis de pequeno formato com rolos de filme flexível. Essa invenção impactaria ainda o lugar da fotografia na imprensa, criando as condições para a demanda dos repórteres fotográficos.


Era nesse universo que estava inserido Kurt Klagsbrunn, cujo trabalho representou importante contribuição na produção de registros visuais da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores. Nascido em 06 de maio de 1918, Kurt era de família judia e originário da capital austríaca, Viena. Apesar de já demonstrar interesse pela fotografia desde a juventude, foi no Brasil que ele se dedicou profissionalmente a atividade. Em 1938 havia sido admitido no curso de medicina, contudo naquele mesmo ano, quando a Áustria foi anexada pela Alemanha Nazista, a família Klagsbrunn decidiu embarcar para a América. A opção pelos Estados Unidos foi inviabilizada pela recusa dos vistos de Kurt e de seu irmão, Karl. A partir de então, o destino da família seria o Brasil, onde um tio materno já residia. Chegados no navio General Artigas, em abril de 1939, se instalaram no Rio de Janeiro.


Autorretrato na Praia Vermelha, Rio de Janeiro, 1948. IN: LISSOVSKY, Maurício; MELLO, Márcia. Refúgio do Olhar: a fotografia de Kurt Klagsbrunn no Brasil dos anos 1940. Casa da Palavra, Rio de Janeiro, 2013, p.16

No Brasil, Kurt Klagsbrunn foi contratado por diversos veículos de imprensa nacional e internacional, atuando também em campanhas publicitárias e acompanhando de perto a União Nacional dos Estudantes, movimento com o qual se identificava, associado enquanto membro ativo da resistência antifascista. Durante sua carreira, o fotógrafo contou com a importante colaboração de Judith Munk, laboratorista e fotógrafa húngara que chegou como refugiada ao Brasil, em 1949. Pode ter sido por influência dela, inclusive, a realização do ensaio sobre a Ilha das Flores feito para a revista Time, onde Judith foi recebida e passou os primeiros oito dias no país. Algumas dessas fotografias podem ser conferidas no carrossel da publicação.



Refugiados no cais de desembarque da Hospedaria de Imigrantes da Ilha das Flores. Os dizeres de boas vindas estão em alemão, polonês e russo, além de português. LISSOSKY, Maurício; MELLO; Márcia. A fotografia de Kurt Klagsbrunn no Rio de Janeiro dos anos 1940. Casa da Palavra, Rio de Janeiro, 2013 p.133.
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